quinta-feira, 19 de julho de 2018

Primeiro Aluno

     


   Há quase um mês vim para Angola com o intuito de montar, junto com outros, o primeiro Núcleo certificado da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence no continente Africano. Minha chegada foi tranquila, mas pude logo perceber os desafios que vou enfrentar. Apesar de o idioma oficial ser o mesmo há alguma dificuldade de comunicação, sobretudo, quando se necessita de um posicionamento. Explico, certa vez faltou luz no condomínio, e, claro, não podia ser diferente, foi justamente no momento que estava em reunião com outros membros, inclusive o si fu. Fui ate o escritório onde fica a empresa de meu irmão Kung Fu William franco na esperança de conseguir auxílio. Bem, quando questionei quanto tempo, normalmente, a energia demora para ser restabelecida foi respondido com um, "já, já". Ingenuamente, acreditei que poderia obter uma resposta mais precisa, questionei, "uns vinte minutos?" a resposta foi "não demora, é já". Nunca daria essa resposta ao si fu, portanto, acreditei que a pergunta havia sido mal formulada, insisti, "sei... então, 1h?" Uma hora não, mas já". Obviamente eu desisti.




 Nosso primeiro aluno é uma pessoa diferente, pois, apesar de ser c[criança, já no primeiro dia decidiu iniciar a pratica, talvez um acalento para um coração que mais tarde sofreria com a falta de posicionamento dos demais aspirantes a membro.

 No mais acredito que esta é um premonição, com relação a imprecisão nas atitudes, do si fu que uma vez me disse algo mais ou menos assim, " você é meio angolano, vai precisar de muito Kung Fu para transmitir algo a eles."

quinta-feira, 12 de julho de 2018

MYVTMIIM em Angola


                                  Dia Um

Quando de fato nascemos?
Podemos dizer que é antes do nosso parto, talvez no momento da fecundação, mas, antes disso, se nossos pais não tivessem se conhecido não teríamos nascido, o mesmo vale para os pais de nossos pais e assim por diante.


  Meu nascimento aconteceu, no mínimo, há dez anos na ocasião do meu ingresso na família Moy Jo Lei Ou. Claro que na época eu não tinha ideia de que eu poderia me transformar em um profissional de artes marciais, mas, de todo jeito me dediquei, sem necessariamente ter um objetivo. Por vezes , me dedicava pois gostava, por outras me dediquei pois precisava, no fundo, a única coisa que fiz e faço ate hoje é sobreviver. Uma lição que aprendi com meu si fu, não que ele tenha me ensinado, mas sim que eu tenha aprendido, está clara na mente; acho que o mais importante para um artista marcial é; após o tombo levantar e ocupar o meio só porque virão outros e não tem graça desistir no primeiro. Com o habito desta pratica, sim, habito pois a decisão de desistir ou não desistir e só questão de pratica, você se torna mais forte e portanto os desafios aumentam. Hoje sou uma das vozes  de uma instituição que tem mais de 30 anos só no Brasil. Tenho na mão o volante que irá direcionar o destino desta mesma instituição na África, tenho a responsabilidade de honrar a crença que tantos, e eu próprio, tem em mim, mas, honestamente, nada disso me assusta, o que me faz ter medo, e sim, isto me tiraria o sono, é, se em algum momento dessa jornada eu desconectar do pensamento do meu si fu. Se isto acontecer, tenho certeza, nunca mais  levanto para reposicionar a guarda.

  1.  Quando o parto acontece nosso próximo passo é nascer outra vez, neste caso, vivendo novas experiências. Após 10 anos de Kung fu eu tenho certeza que nasci e sei que nascerei outras vezes em outros momentos. Que venha a segunda década,sigamos.